A Metade Negra quer jogar abaixo o conceito maniqueísta que separa demônios e santos. Ao questionarmos sobre quem somos, deparamo-nos com uma infinidade de variáveis, uma vez que tudo depende destas variáveis e de para onde está apontado o seu foco, ou o que ou quem é sua referência. Nada é absoluto. Metamorfoseamos sempre. Crescemos, amadurecemos e sofremos modificações aos montes. Nada, nem ninguém, é imutável. Precisamos dos opostos para manter o equilíbrio. Afinal, como reconhecer a fada se não há a bruxa? E vice-versa. Todos estão dentro de suas verdades, dos seus princípios, com ou sem essa consciência. Abrigamos em nós sentimentos que, por vezes, renegamos, ignoramos ou até mesmo, quando os assumimos, pagamos um alto preço. A imagem na água não mostrou à Narciso sua vaidade; o espelho social nos revela metade do que somos, apenas o que colocamos em exposição. Cabe a cada um lidar com suas emoções resguardadas para não transformar-se numa flor solitária à beira de um lago.

Devemos desmistificar nossos medos, porque cada sentimento tem sua metade negra. A saudade que nos faz sofrer potencializa a alegria no reencontro. E assim é a vida; assim somos nós. O paradoxo e a dualidade nos movem. A Metade Negra não desvela e mantém sob o véu nossos sentimentos mais secretos, protegendo-os da luz (da razão?).

Electra Natchios Barbabela
(Punk day. Sometimes you have no choice. sometimes
you gotta no voice to say. But it’s only one…only one (I hope so))

One thought to “A METADE NEGRA”

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