Sempre fui daquele tipo de pessoa que fica correndo atrás de mecanismos para agilizar meus trabalhos e para que? Para ter mais tempo para inventar mais coisas para fazer. Parece louco isso, mas é mais comum do que se pode imaginar. Não é um privilégio meu não me permitir o ócio. O mundo está tão competitivo e são tantas as cobranças, que entramos numa rotação acelerada sem nos darmos conta do quão desnecessária e maléfica são as rotinas que impomos a nós mesmos. 
Comecei a me dar conta disso quando percebí que não lia os livros que gostaria de ler, mas o que achava que precisavam ser lidos. E por que isso? Porque estava robotizada a tal ponto que nem raciocinava mais. Reparei as inúmeras vezes que havia desmarcado o meu horário no salão, por priorizar qualquer outra coisa. Isso estava errado. Muito errado. 
Toda mulher precisa de uma hora só dela, para se cuidar, desligar do mundo e recarregar as energias. Você tem que encontrar um lugar com astral lá no topo, divertido, ambiente bacana e acima de tudo, com os profissionais que te entendam. Afinal, cabeleireiro é meio terapeuta, meio mago, e tem o poder (e a paciência) de escutar lamúrias e fazer milagres.

Sim, porque as mulheres sentem-se transformadas depois que levantam-se da cadeira depois de um cabelo arrumado e unhas impecáveis. 
Tive a fase de postar aqui no blog as fotos camaleônicas do meu cabelo que já teve todas as cores da escala pantone.
Agora estou na fase das unhas diferentes. E o mais legal é que, como trabalho com criação, deixo a Karina manicure soltar a imaginação dela, pois pra mim o que ela faz é arte. Na primeira vez eu achei o resultado sensacional e postei aqui. Na segunda pintura diferente que ela fez, eu fotografei e estava esperando o momento certo para postar. Ficou muito descolada, moderno e como sou fascinada por quadrinhos batizei a pintura.  

Unha Wolverine by Karina
Eu adorei ter unhas metálicas, pois sempre tive a frustração total por querer mas não poder ter “garras de Adamantium“. Achei que tinha tudo a ver comigo. 
A outra pintura que tive a honra de batizar tem as seguintes características: quatro dedos rosa fechado, com francesinha preta e uma unha preta com flores brancas com folhas verdes e strass no centro. Olhei e pensei no que aquelas cores e aqueles desenhos me remetiam. Voilà. Estava na minha cara. Chamei-a de “Primavera árabe”.

Primavera Árabe by Karina 

Foi divertido, prazeroso e acima de tudo ficou exatamente como eu queria. Saí de lá leve, chiquérrima, com meu cabelo roxo e devendo para a Karina a explicação completa da escolha do nome, que eu falei bem resumidamente.
Por ser a “Primavera Árabe” o nome dado ao evento que teve início na Tunísia (Revolução de Jasmim), e atingiu vários países árabes (e que ainda continua), resolví deixar a unha preta como a representação do jovem rapaz tunisiano que ao protestar contra as condições de vida no seu país, ateou fogo ao próprio corpo causando sua morte, desencadeou sem saber todo o movimento que até agora derrubou três chefes de estado . A cor rosa significa as conquistas conseguidas até então e a tarja preta simboliza os que se sacrificaram pela causa. 
Pode soar exagerado ou dramático demais para qualquer um. Mas eu gosto da minha vida assim, intensa… detesto pensar que ela seja pequena, sem sonhos e menor que a minha imaginação!

2 thoughts to “A terapia do salão

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.