O texto que traduz exatamente o meu sentimento em relação à insuportável onda de “patriotismo” que assolou as redes sociais nas últimas semanas. Este texto foi postado no Facebook do autor, Yan Bueno, a quem pedi autorização para publicar aqui. Segue abaixo. 
“Estou impressionado. Até gente claramente bem informada, que não obtém vantagem alguma em defender este ou aquele político/partido está caindo nas armadilhas maniqueístas do momento político.
Uma delas é comparar de forma rasa governos em eras e conjunturas bastante distintas. As pessoas estão fazendo recortes justos, sem contextualização, não levando em conta que a dinâmica política, econômica e social brasileira (e mundial) pós governo militar nunca foi linear. A prática da comparação oportunista, que é largamente difundida na classe política está sendo adotada também pelos cidadãos, o que só faz empobrecer a construção crítica do pensamento político.
Outra, é que neste pleito o eleitor comum mais que nunca está se valendo do direito de vestir a roupa da “caixa de ressonância” clássica. É um volume de repetições e compartilhamento de factoides e notícias com viés eleitoreiro que “nunca antes na história deste país” se viu. Quanta chatice, quanta preguiça.
Está muito conveniente esquecer de corruptos e corruptores. Conveniente também é não lembrar (ou será que não sabemos mesmo?) a origem das “coisas”, renegar as práticas que funcionaram a partir de determinado mandato e dar novos pais e mães a ideias já batizadas. Amenizar, distorcer e mentir deslavadamente sobre tema qualquer virou regra.
Não estou entendendo o motivo de tamanha paixão por categoria que há anos lidera o ranking das instituições menos confiáveis no país. Não mesmo.
Para muitos, a evolução política qualitativa só acomete o candidato predileto. O concorrente fica preso ao passado numa espécie de limbo. Que bobagem sem fim. Bem ou mal o país que temos hoje é o resultado de 30 anos de erros e acertos da nossa jovem democracia (20 do início da estabilidade econômica), da alternância de poder por ela proporcionada, da inerente transformação da sociedade e da influência de um mundo globalizado.
Sem nos dar conta, nós pessoas de bem – ao menos nesse período de eleições –, estamos assumindo uma postura análoga a dos políticos profissionais que se chafurdam e regozijam sobre a sujeira que produzem, e não têm vergonha alguma disso.
Menos pessoal, menos. O político faz parte de uma classe não natural da terra, não humana. A não ser que você faça parte ou se beneficie do “esquema”, não vale a pena brigar por ele. Vale sim brigar com ele, pois nenhum merece refresco. Nenhum!
Torça a vontade, debata civilizadamente, vote feliz no dia 26/10 (ou não vote), mas por favor, tente não se parecer com os políticos. Deixe o papel menor apenas para eles.”
Yan Bueno – 08/10/2014

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